A inadimplência das empresas brasileiras atingiu o maior patamar já registrado, segundo dados divulgados pela IstoÉ Dinheiro. O levantamento aponta que mais de sete milhões de empresas encerraram 2025 com dívidas em atraso, consolidando um cenário de estresse financeiro prolongado no setor produtivo, especialmente entre micro, pequenas e médias empresas.
Do ponto de vista técnico, o recorde de inadimplência está diretamente relacionado ao ambiente de juros elevados mantidos ao longo do ano, ao custo restritivo do crédito e à desaceleração do consumo em alguns segmentos. Com a taxa básica em níveis elevados por período prolongado, o serviço da dívida se tornou mais pesado, comprimindo fluxo de caixa e reduzindo a capacidade de rolagem de passivos, especialmente para empresas com menor acesso a funding estruturado.
A matéria também evidencia a concentração da inadimplência em setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como comércio, serviços e construção. Esses segmentos operam com margens mais estreitas e maior dependência de capital de giro, o que os torna mais vulneráveis à combinação de juros altos, aumento de custos operacionais e menor previsibilidade de receita. Na prática, pequenas variações macroeconômicas passam a gerar impacto desproporcional sobre a solvência dessas empresas.
Outro ponto técnico relevante é o efeito cumulativo do endividamento. Muitas empresas já vinham de processos de renegociação iniciados nos anos anteriores, o que reduziu a margem de manobra para novos ajustes. Com menor espaço para postergação de dívidas e maior seletividade do sistema financeiro, a inadimplência deixa de ser episódica e passa a refletir fragilidade estrutural de balanço e modelo de negócio.
Esse cenário também altera a dinâmica do crédito no país. O aumento da inadimplência eleva o risco percebido pelas instituições financeiras, restringe concessões e encarece ainda mais o capital para empresas saudáveis. O efeito é circular. Menos crédito disponível reduz investimento e crescimento, o que por sua vez pressiona receita e aumenta o risco de novas inadimplências.
A leitura estratégica desse dado indica que o problema não está apenas no atraso de pagamentos, mas na necessidade urgente de reorganização financeira, renegociação estruturada de passivos e revisão do modelo operacional de muitas empresas. Em ambientes como o atual, sobrevivem não necessariamente as maiores, mas as mais organizadas financeiramente.
O recorde de inadimplência não deve ser visto apenas como sinal de crise, mas como um alerta claro. Em ciclos de crédito restritivo, estratégia financeira, governança e gestão ativa de passivos deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos de continuidade empresarial.
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